Pensei em alguma forma de justificar esse ato clichê de se tecer uma retrospectiva do ano citando algumas coisas que minha amiga Ágata me disse uma vez sobre "ritos", e tal, mas vou me poupar. Fiz isso já alguns anos atrás nesse blog, sempre foi legal reler e por que eu haveria de não fazer o mesmo esse ano, né? Pois vamos lá.
Esse foi, certamente, o ano mais "diferente" que eu tive até hoje. Muitas reviravoltas, claro; mudei de cidade, comecei a fazer faculdade, precisa de mais? Viajei pelo estado inteirinho (até pra fora dele), conheci um mundo de gente nova, tirei todas as minhas virgindades que ainda restavam (no bom e no mal sentido, é, get over it), lidei com coisas para as quais ainda não estava preparado, me surpreendi, me superei, aprendi, desaprendi, me orgulhei, desorgulhei, ME desorgulhei, acreditei (e não desacreditei, ainda), apanhei, bati, disse, desdisse, comprei, vendi e peguei DP em quatro matérias.
Porém, se há uma palavra que possa definir esse ano, é a saudade. Não há dúvidas. Dos meus amigos, da minha cidade, da minha cama, do meu banheiro, da minha tv, do meu amor... É como se eu tivesse passado por uma peneira tudo que eu vivi anteriormente. As coisas ruins "perderam" a expressividade ou simplesmente "desapareceram" da memória, enquanto as boas passaram a brilhar ainda mais enquanto MUITAS foram relembradas por completo. Sei lá, é coisa de mais. E essa "clarificação" das coisas boas do meu passado, que realmente "lingered" no meu coração, me fizeram revolucionar em muito meus valores.
E agora posso dizer o óbvio com toda certeza do mundo: SIM, eu não sou uma pessoa cartesiana. Não sou. Fato tal que afetou drasticamente minha vida universitária. Pois é, vou largar a engenharia. Não que eu não acredite no curso, não que eu não tenha gostado, e tal, mas a questão que pega é a seguinte: qual meu objetivo na vida? Ser feliz, não é? Eu serei feliz tendo de estudar cálculo 1, 2, 3, física 1, 2, geometria analítia, cálculo numérico computacional e mais o raio que o parta? NÃO! É uma questão de maturidade, viu. Beleza, foi difícil passar no curso, foi difícil a mudança pra Assis, o processo de adaptação foi dispendioso e tudo mais, só que retomando: é uma questão de maturidade. Não nasci pra ser engenheiro, nasci, primeiramente, pra ser FELIZ. E portanto decidi tentar a bendita transferência pro curso de ciências biológicas. Os planos são os seguintes:
1° - Conseguir transferir da engenharia pra biologia no campus de Assis (que é o único da UNESP que aceita esse fluxo; droga. E que vai ser complicado de se por na prática, pois terei de entregar uma pá de documentos tipo pra JÁ, enfim. PAVOR de burocracia).
2° - Virar aluno fatorial da biologia, cursando matérias do primeiro e segundo ano da bio, né, fechando as minhas lacunas (as matérias que não tive na engenharia), e me matar de revisar genética (que tive no segundo semestre desse ano) e de aprender bioquímica (são as matérias que caem nas provas de transferência, além de português e inglês).
3° - Tentar transferência externa pra qualquer outra faculdade pública mais perto de Ribeirão. Fui pra Assis (leia-se: fim do mundo) só porque lá tinha o melhor curso de biotecnologia do Brasil. Compreensível. But, Assis não tem o melhor curso de BIOLOGIA do Brasil, então por que raios vou continuar lá?
4° - Tentar, também, no fim do ano, transferência pra biologia da UNESP de Rio Claro.
E são estes meus planos pra 2011. Claro, pretendo continuar o mandarim (se a professora permitir), tentar uma vaga no francês, etc. Me encontrar, manter e fortalecer os laços com as pessoas que amo... Amar, claro. Conhecer novas pessoas, ter novas experiências. Tô ficando melancólico, já *engole*.
Uma questão muito forte esse ano foi o amor (não na forma prática mas sim metalinguística, e é só ler meus últimos posts pra constatar). Só esse ano eu pude ver e entender quão heterogênea é a "prática do amor". As pessoas amam diferente, isso é fato, mas algumas formas de se amar são MUITO diferentes, o que me faz questionar o que define o amor e o diferencia das paixões, das amizades, dos vícios... A experiência que tive foi a seguinte: não importa o que eu fizesse, mesmo que eu fosse pra longe, não pensasse mais, me "apaixonasse", ESQUECESSE, era batata, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, nem que EM SONHO, o sentimento vinha à minha porta, esmurrava ela e berrava "HEEEEEY, EU AINDA TÔ AQUI! TÃO FORTE QUANTO NUNCA! TOLO VOCÊ POR TER PENSADO QUE EU UM DIA EU PARTIRIA". Até que decidi deixar de "lutar contra" e tentar aprender a lidar. Tô nessa, ainda...
É uma mistura de fé, fé cega, desfoque, desesperança, meia-esperança, drama e cansaço. Mas tá tudo relativamente bom, encaminhado, e tenho ainda uma porrada (uma PORRADA *ênfase*) de motivos pra continuar. (A quem ler, não interprete o que eu disse como de caráter suicida, não há por onde)
Feliz 2011!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Einen Toast für die Schönheit des Moments ~
Eu sei que "quanto mais triste mais bonito soa", mas respeitemos os limites da carne. Um amigo disse que pensar faz mal. Pensar faz mal? Acho que tem mais a ver com não conjugar demais ao futuro quando se tem todo o presente aqui, agora, enfim...
Cantar com o peito rasgando de emoção "mais, peut-être, un beau jour voudras tu retrouver avec moi le paradis perdu" não faz o menor sentido, no fim das contas.
Cantar com o peito rasgando de emoção "mais, peut-être, un beau jour voudras tu retrouver avec moi le paradis perdu" não faz o menor sentido, no fim das contas.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
It had more worth than any living thing on Earth ~
Às vezes lembro-me dele na frente da casa da sua avó comigo, todo suado de tanto pedalar, cantarolando enquanto pega a chave em seu bolso para abrir a porta. Vi essa cena várias vezes. Ele cantarolava:
"Suki na koto ga aru to iu nara, sore de juubun"
Uma vez perguntei o que significava, e ele disse: "mas se há o que se chamar de amor, isso já basta".
O ímpeto é de ir para bem longe. A memória atenta contra a vida. Às vezes sinto como se estivesse longe de mim mesmo, tivesse me esquecido em algum canto. Esses dias tenho tentado me consolar com o que me disseram, eu li, eu disse pra Lê e digo aqui, também: a vida não passa de um sonho.
"eu corro, fujo desta sombra
em sonho vejo este passado,
e na parede do meu quarto
ainda está o seu retrato
não quero ver pra não lembrar,
pensei até em me mudar
lugar qualquer que não exista
o pensamento em você..."
Ontem eu vi um filme em que diziam algo como: "existem apenas dois tipos de sofredores do mundo - aqueles que sofrem por carência de vida e aqueles que sofrem por excesso de vida".
Uma amiga minha perdeu esses dias um garoto que sei bem eu o quanto ela amava. Ele sofreu um acidente. Eu lhe disse várias vezes que o dia em que ele fosse embora, eu iria junto. Parece infantilidade dizer isso, mas caio em uma questão velha, "what makes life worth living?". Eu iria junto dele, sim... Eu iria sem pestanejar. É isso que faz da minha vida worth living, o fato de que se ele fosse embora, eu iria junto.
Eu sei que o meu maior erro é não saber lidar. Não saber amar. Uma coisa é amar, outra é saber amar. Muita gente ama e não sabe amar, e por isso ama errado e sofre. No meu caso, quer morrer.
O amor é a simples alegria pela existência do outro.
"Suki na koto ga aru to iu nara, sore de juubun"
Uma vez perguntei o que significava, e ele disse: "mas se há o que se chamar de amor, isso já basta".
O ímpeto é de ir para bem longe. A memória atenta contra a vida. Às vezes sinto como se estivesse longe de mim mesmo, tivesse me esquecido em algum canto. Esses dias tenho tentado me consolar com o que me disseram, eu li, eu disse pra Lê e digo aqui, também: a vida não passa de um sonho.
"eu corro, fujo desta sombra
em sonho vejo este passado,
e na parede do meu quarto
ainda está o seu retrato
não quero ver pra não lembrar,
pensei até em me mudar
lugar qualquer que não exista
o pensamento em você..."
Ontem eu vi um filme em que diziam algo como: "existem apenas dois tipos de sofredores do mundo - aqueles que sofrem por carência de vida e aqueles que sofrem por excesso de vida".
Uma amiga minha perdeu esses dias um garoto que sei bem eu o quanto ela amava. Ele sofreu um acidente. Eu lhe disse várias vezes que o dia em que ele fosse embora, eu iria junto. Parece infantilidade dizer isso, mas caio em uma questão velha, "what makes life worth living?". Eu iria junto dele, sim... Eu iria sem pestanejar. É isso que faz da minha vida worth living, o fato de que se ele fosse embora, eu iria junto.
Eu sei que o meu maior erro é não saber lidar. Não saber amar. Uma coisa é amar, outra é saber amar. Muita gente ama e não sabe amar, e por isso ama errado e sofre. No meu caso, quer morrer.
O amor é a simples alegria pela existência do outro.
domingo, 26 de setembro de 2010
Dog
Como pode caber tanto carinho por alguém que a cada beijo te devolve três chutes? Como pode ser possível tal confiança em alguém que já atentou contra sua vida, sua moral e seu amor? Eu não sei de nada.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
8 ou 80
Eu tenho, sim, vários motívos para almejar um único par amoroso para todo o resto da minha vida, mesmo conhecendo tantas teorias que põem essa "necessidade" a nível do ridículo. Vamos lá:
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Não vou conseguir listar os motivos (e faço questão de registrar minha tentativa). Acho que é uma questão quase que de saúde, de praticidade e que diz respeito à minha natureza. Eu não consigo fazer a maioria das coisas pela metade, ou eu faço e dou TUDO de mim e vivo a experiência de corpo e alma, ou nem faço e vivo eternamente amargurado a respeito. E eu quero ter filho(s), também. Eu quero uma companhia fiel e quase invariavelmente agradável. Eu quero poder transar sempre e sem o risco de pegar doenças, e quero sempre poder dar meu carinho e recebê-lo da mesma forma. E mais, eu quero dividir a minha história, quero ser e ter testemunha. Ai, meu, sei lá, é começar a listar que eu sinto como se os motivos se contradizessem. Sabe a que conclusão que sempre chego? Não que seja uma conclusão, mas eu sinto uma fortíssima inclinação de me render ao "8" e não ao "80".
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Não vou conseguir listar os motivos (e faço questão de registrar minha tentativa). Acho que é uma questão quase que de saúde, de praticidade e que diz respeito à minha natureza. Eu não consigo fazer a maioria das coisas pela metade, ou eu faço e dou TUDO de mim e vivo a experiência de corpo e alma, ou nem faço e vivo eternamente amargurado a respeito. E eu quero ter filho(s), também. Eu quero uma companhia fiel e quase invariavelmente agradável. Eu quero poder transar sempre e sem o risco de pegar doenças, e quero sempre poder dar meu carinho e recebê-lo da mesma forma. E mais, eu quero dividir a minha história, quero ser e ter testemunha. Ai, meu, sei lá, é começar a listar que eu sinto como se os motivos se contradizessem. Sabe a que conclusão que sempre chego? Não que seja uma conclusão, mas eu sinto uma fortíssima inclinação de me render ao "8" e não ao "80".
sábado, 4 de setembro de 2010
Der größter Stolz
Eles fazem o que querem quando bem querem comigo, sempre. Ou simplesmente não fazem nada, isso também conta. E por mais que eu me debata por dentro, o olhar é de complacência, invariavelmente. Onde eu pretendo chegar agindo assim eu não sei, tanto quanto não consigo ver lógica em agir diferente.
Não quero mais, pelo menos por esses instantes.
Não quero mais, pelo menos por esses instantes.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
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