terça-feira, 26 de maio de 2009

Concentração de poder

Tal como citou Nietzsche, "onde encontra-se uma criatura viva, encontra-se também desejo de poder", e o ser humano, assim como qualquer outro ser vivo, busca dominar ao máximo tudo que o cerca. A partir deste princípio, ao analizar-se os componentes das sociedades atuais correspondentes a esta questão, vê-se que a relação de poder entre os homens é muito intensa, e em alguns pouquíssimos, porém muito abrangentes casos, gritantemente desproporcionais, quando em comparação com a forma em que o fluxo de influências ocorrem na natureza aparte do homem.
As leis, os vestibulares, os costumes locais, a moda e as religiões são exemplos de mecanismos pelos quais grupos muito reduzidos influenciam grandes massas. "A religião é ótima para manter as pessoas comuns caladas", disse Napoleão, exemplo de alguém que possuia um poder muito grande sobre incontáveis pessoas de diversas nações ao longo de muito tempo, cuja influências perduram até hoje.
O que faz com que tais desproporcionalidades nas relações de poder existam e mantenham-se estáveis é, muitas vezes, o desconhecimento dos influenciados quanto a influência em si. Isso acontece no caso da moda, por exemplo, quando um empresário que lida com tecidos, através de contatos, faz com que um determinado tipo de tecido não muito utilisado antes seja usado por estilistas importantes na confecção de roupas apresentadas em grandes desfiles, e passe assim a ser muito consumido, e os consumidores que compram o tecido muito dificilmente têm conhecimento do porquê dele ser, dentre tantos tipos, justo aquele.
Costumes descriminatórios que exploram ou desvantageiam minorias, são exemplos de influências oriundas de poucos sobre muitos que apenas colaboram com a disseminação das injustiças e ignorância, ou seja, influências negativas. Contudo, ainda há algumas que agem beneficamente nas sociedades em geral. É o caso leis, que permitem a existência de uma ordem e justiça mais elevada. Outras, ainda, são indiferentes, como algumas propagandas.
Contanto que não sejamos completamente alienados e tenhamos consciência ao menos da maioria das influências que nos são impostas, e com isso saibamos discernir aquelas que nos são maléficas, benéficas e indiferentes, pode-se considerar essas desproporções nas relações de poder como catacterísticas tipicamente humanas, ou seja, naturais e não prejudiciais, pois a inteligência, a vontade de poder e a capacidade de se sobressair aos outros é, de fato, comum aos homens. Porém, quanto à ignorância e a passividade às influências alheias, não pode-se dizer o mesmo.