quinta-feira, 5 de março de 2009

Fruto oco

Via flores e frutos eclodirem viçosos, coloridos e espontâneos por todo o jardim a sua volta. Cospúsculos gordos, suculentos, pesados e saborosíssimos a se pendurarem aos seus ramos, arqueando-os por tanta fartura, e sendo jamais menos desejados por tudo e todos. Eram indubitavelmente valiosos. Aquele espetáculo de saúde por momentos segurava-o pelo mais puro gozo estético; a vida pulsava ao seu redor, emanando calor e perfume que penetravam em seu ser, devolvendo-o o que ia-se com o tempo. Vislumbrava seu bem estar, tal que levou-o a reparar nos outros, e a pôr-se em seus lugares: produzindo e recebendo. Como devia ser bom produzir, e ver algo tão divino vindo de si, e todos se sentirem bem às custas disso. Enrijeceu suas fibras e de sua matéria brotou, seco e a grande custo, uma bolha. Assim que projetou-se por completo desprendeu-se e caiu, rasgando-se em duas e exbondo o nada que a preenchia. Bastou que a noite caísse para que centenas de formigas fizessem juz às cascas, que até então não tinham deixado de sê-las, pois jamais tinham sido algo além do que já eram e que sempre seriam. Como era igualmente bom produzir, e ver algo tão divino vindo de si, e ao menos alguns se sentirem bem às custas disso.

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